Descobrindo #06

Nessa sexta edição, trazemos a vocês mais quatro nomes promissores do nosso cenário que mereciam mais espaço

Nossa coluna de descobertas retorna para sua sexta edição, nela trazemos a vocês mais quatro nomes promissores do nosso cenário que mereciam mais espaço. Conheça AK’HIM e sua mixtape de estreia que perpassa pelas sonoridades e storytelling na cidade de São Paulo; a sensibilidade de Kaell em seu promissor EP inicial; a leveza e intimidade de Hanifa e, por fim, toda a versatilidade sonora do grupo Leste 5

AK´HIM – Mixtape #1

Com sonoridade urderground, AK’HIM, rapper paulistano, não brincou em serviço no lançamento de seu primeiro trampo solo, Mixtape #1. Imagine ouvir uma mixtape que te lembre os velhos tempos de Criolo e Black Alien, mas que ao mesmo tempo mantem um quê de contemporaneidade devido alguns aspectos sonoros de chill e música disco, mistura que tem dado certo nas rádios de lofi de hoje em dia, essa é a sensação ao dar o play no trabalho. A mixtape carrega uma produção que reflete a atmosfera urbana e os espaços paulistanos, numa ritmicidade que começa rápida, apresentando São Paulo como uma cidade de mentiras, mas vai diminuindo de velocidade ao longo das próximas tracks, como uma corrida em que as respirações e os passos vão se transformando num trote mais constante.

Além disso, o boombap é bem aproveitado junto com o uso dos tradicionais scratchs. A track ‘Marfim’ com feat de Larissa Nunes, por exemplo, tem todas as características de um ótimo boombap, a escolha certa da voz para o refrão e versos que usam do storytelling, artifício que vai ser explorado durante toda a mixtape, aliás, a voz feminina não é usada apenas no refrão, contando com sua contribuição também nas estrofes. Indo a aspectos mais coesivos, os samples bem colocados de sons da cidade e antigas audições de TV e rádio dão tom e continuidade à mixtape. Com todos esses aspectos, AK’HIM apresenta um projeto maduro apesar de ser o seu primeiro trabalho, o rapper vem pra mostrar que se faz sim boombap como antigamente. 

– Diana Paraíso

 

Hanifa – Vivências

Não existe maneira melhor de definir o EP Vivências como um passeio leve, intimista e obviamente rápido pela vida da artista Hanifah. Filha de ninguém mais ninguém menos que lendário KL Kay, a artista mostra nesse trabalho que a aptidão pela música corre pelo seu sangue de maneira singela e bastante singular.

Nessa pequena trajetória de cinco faixas, passamos por inspirações sonoras vindas do R&B, Soul e House, todas produzidas pelo produtor da Zona Leste de São Paulo, Eddu Chaves. Se toda musicalidade da produção já cria um ambiente super agradável, a adição da bela voz de Hanifah só potencializa esse sentimento.

O EP conta com apenas duas participações, na faixa ‘Intro Vivências’, KL Jay faz algumas colagens e scratches em meio aos versos de sua filha, colagens essas que passam pelas vozes de Mano Brown e Rashid, por exemplo. A outra participação está presente na faixa ‘Alma’ que conta com o feat de Sadiki, a track também foi lançada acompanhada de um clipe. 

Definitivamente o EP Vivências é uma porta de entrada bastante interessante para o trabalho de Hanifah e fazendo jus à sua presença em nessa sessão de DESCOBRINDO. 

 

– Gabriel Magalhães

 

Kaell – Sinto logo existo

Fazer rap é, muitas vezes, expor o que sentimos, até quando não entendemos bem. Enquanto é costumeiro ver as rimas mais carregadas de sentimentos revoltosos no início da caminhada, é difícil ver no começo da sua trajetória um MC com a coragem de se expor e se colocar num lugar de fragilidade. É o que faz KAELL, rapper de São Paulo, no EP intitulado Sinto Logo Existo.  

A sonoridade quase lo-fi do projeto, seja nos beats simples de boombap com snares muitas vezes tímidos e samples suaves ou na entrega vocal arrastada (e também até na mixagem do projeto e nos cantos fora do tom), casa bem com a ideia de abrir os seus sentimentos, dando um espaço maior para que o MC coloque o coração na ponta da caneta na hora de escrever.

O trabalho mostra um artista disposto a experimentar nos temas abordados (militância, saúde mental, solidão e inseguranças) e que já dá os primeiros passos em direção a uma maturidade no mic que só chega por completo com o tempo.

– Ravi Freitas

 

Leste 5 – Mandril

Uma proposta bem diferente do comum, ainda que o estilo venha ganhando espaço na cena, as músicas destacam o jeito singular do grupo paulista em mesclar as batidas, melodias e vozes nos lembrando como o rap pode ser versátil com vertentes que podem ser exploradas para ir além do óbvio. Trata-se de um trabalho para quem curte novas experiências musicais.

A tonalidade calma e serena apresentada em faixas como ‘Gatos Não Morrem Pt. 2’ não se perde em ‘Mandrill’, onde podemos dizer que há uma pegada um pouco mais agressiva, a sensação é de estar presenciando uma conversa entre o grupo e os convidados. De fato, é um trabalho que consegue nos prender por esses detalhes que junto a outros nos permitem ouvir cada som presente nas músicas.

– Yasmin Ferreira

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